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Monoculturas x Culturas Ancestrais

As monoculturas modernas são espécies originárias de várias regiões do mundo. Se multiplicaram em muitas variedades: aveia no Mediterrâneo, o trigo e a cevada no Oriente Médio. Milho e a batata no México, batata e tomate no Peru, mandioca no Brasil, café na Etiópia, arroz na Índia, feijão na China. Uva no Afeganistão e a banana, laranja e cana na Malásia.

Em meados do século passado, a agricultura milenar sofreu uma profunda transformação. O campo foi invadido por monoculturas plantadas a partir de sementes híbridas, expulsando culturas crioulas antigas. Espécies “melhoradas” geneticamente por cientistas. Separando as melhores plantas de cada cultivo e cruzando para gerar alta produtividade a partir da agricultura mecanizada em larga escala.

Suscetibilidade

As plantas produtivas oriundas dos laboratórios dos cientistas são altamente suscetíveis a pragas e doenças. Exigem uma grande quantidade e variedade de produtos químicos para o seu controle. A maioria desses produtos químicos são tóxicos para o homem, plantas e animais. Esses híbridos plantados mecanicamente em larga escala, exigem uma grande quantidade de fertilizantes químicos solúveis. Os resultados da chamada “revolução agrícola” estão por todos os lados.

Monoculturas fazem parte da paisagem do país

Redução

Questão sensível dentro do tema diz respeito ao futuro de nossas sementes crioulas, início de toda a agricultura. Plantas nativas multiplicadas pela natureza em espantoso número: temos cerca de 80 mil espécies de plantas conhecidas. A agricultura ancestral em algumas regiões chegou a produzir cerca de 5 mil tipos de vegetais. Hoje em dia com o uso das variedades produtivas de laboratório, nosso cardápio se reduziu a 130 tipos de vegetais ditos comerciais.

Grande variedade de plantas, foram domesticadas pelos primeiros agricultores das comunidades ao redor do mundo. Na Índia, até antes da chamada “revolução agrícola” existiam 3 mil variedades de arroz, hoje existem apenas 13. O mesmo aconteceu com outras espécies como o trigo na Grécia e o milho no México.

Grande parte de nossas exigências nutricionais são supridas por cerca de 30 vegetais, sendo que a maioria vem do milho, trigo, arroz e batata. O risco de depender de poucas fontes alimentares é grande.

Pomar em monocultura

Dependência Perigosa

Os europeus levaram dos Andes uma única espécie de batata e plantaram vastos campos com essa variedade. Em 1845 uma praga atacou essa espécie, provocando a morte de um milhão de pessoas que dependiam dela para se alimentar. Esse fato provocou ainda a emigração de um milhão de pessoas para a América.

Em 1970 uma raça mutante de fungo devastou os milharais americanos, produzidos na época a partir de uma única semente híbrida. No Brasil, em virtude da complexidade e delicado equilíbrio de nossos ecossistemas o risco de dependência de sementes híbridas pode ser ainda maior.

Os cientistas chamam essa perda de espécies nativas, muitas ainda desconhecidas, de erosão genética. Muitas das espécies que estão desaparecendo, por conta da invasão das culturas híbridas. Representam o produto de centenas de milhões de anos de evolução, através da seleção natural, feita pela natureza.

Jaboticaba

Diversidade e Proteção

As monoculturas, feitas com única espécie solitária, não existiam na agricultura tradicional milenar. Ainda não existem em locais não invadidos pela mecanização. Um exemplo são as lavouras dos índios brasileiros onde se planta até 20 variedades de mandioca. Camponeses bolivianos que cultivam inúmeras espécies de batata, praticando uma agricultura imune a pragas devastadoras. Leia nossa matéria sobre as Sementes Crioulas.

A agricultura orgânica é uma forma de tentar conter o processo acelerado da erosão genética. Aprendendo com a natureza e os primeiros agricultores, restabelecendo a harmonia biológica. Os segredos que protegem as plantas em seu habitat natural. Na natureza, as plantas convivem juntas e se uma nova praga ataca, atinge apenas uma das espécies, sem provocar danos nas muitas outras que vivem ao seu lado.

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