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Apresentamos no texto a seguir, os frutos nativos indígenas brasileiros. Incorporamos a cultura original de populações indígenas, além de tradições de vastas regiões do mundo. Muitos alimentos típicos são bem conhecidos e consumidos, como a mandioca e o guaraná. Com a migração crescente das populações para os grandes centros, outros alimentos regionais foram esquecidos, prevalecendo o consumo de industrializados, encontrados nas prateleiras dos supermercados.

A Amazônia é considerada um dos eco sistemas com maior biodiversidade do mundo. Sua população, antes composta de índios, caboclos e fazendeiros, cresce com a concentração urbana ocorrida nas últimas décadas.

Coleta de frutos nativos indígenas

Vastas populações vivem da coleta de frutos nativos indígenas e exploração de recursos nativos da mata, como as castanhas, açaí, madeira e seringais nativos. Esse extrativismo resolve uma questão social imediata mas são prejudiciais como exploração econômica, exaurindo reservas naturais e produzindo instabilidade.

Apesar dos movimentos ambientalistas defenderem o extrativismo como modelo adequado para a região amazônica, outros defendem que o extrativismo não é solução. Argumentam que além de produzir a destruição da mata, é incapaz de conviver com a moderna economia de mercado. Um exemplo são os seringais do Estado de São Paulo, que produzem borracha de melhor qualidade, com custo menor que a borracha produzida nos seringais nativos da Amazônia. Criação das reservas extrativistas, sem fundamentos científicos, não são eficazes em proteger a diversidade de espécies vegetais e a fauna da floresta, que é utilizada como alimentação nas áreas de extração.

Amazônia

Espécies ainda desconhecidas

A preservação dos recursos florestais da Amazônia é fundamental, evitando a extinção de espécies que ainda não conhecemos e que poderão vir a ser domesticadas no futuro. Entre milhares de espécies do bioma, podemos citar o Timbó, um arbusto nativo comum na região amazônica, cujo princípio ativo, a rotenona é tóxico para animais de sangue frio, peixes e insetos. O Timbó pode ser usado para controlar infestações de carrapatos, pulgas e piolhos, pois é inofensivo para animais de sangue quente.

Os produtos da floresta tropical são uma explosão de aromas, cores e sabores. Entre muitos outros frutos nativos indígenas, podemos destacar o Açaí, Tucumã, Guaraná, Cupuaçú, Pinha, Cajuru, Pupunha, feijão-de-corda e pimenta-de-cheiro.

Pupunha

Mercado de frutos nativos indígenas

Durante o verão, a baía da Guajara, em Belém do Pará fica movimentada, com a chegada de centenas de canoas e barcos, trazendo os caçuás de cipó trançado repletos de frutas tropicais para o famoso mercado ver-o-peso. Muitas dessas frutas não são ainda exploradas comercialmente. Em sua maioria, são colhidas na floresta tropical.

São bastante apreciadas, não só pelos nativos, mas por consumidores em todo o Brasil. A lista das frutas regionais que normalmente não encontramos em supermercados é enorme: ingá, jatobá, guajiru, ubaia, camboim, maçaranduba, jabuticabas, juá, cajaranas…

O uso destes alimentos ricos em vitaminas e sais minerais pode minimizar os quadros clínicos de deficiências nutricionais. Tem o potencial de diminuir o risco de infecções. O conhecimento dos valores nutricionais das frutas regionais poderia contribuir na prevenção de muitas doenças causadas por estas deficiências.

Açaí

Açai e Pupunha

Atualmente, uma fruta muito apreciada é o açaí (Euterpe oleracea), servido em lanchonetes e sorveterias de todo o Brasil, exerce importante papel socioeconômico e cultural na região amazônica. A papa feita de seus frutos é bastante consumida. A planta é também conhecida como Juçara e pode atingir até 25 metros de altura.

A pupunha (Bactris gasipaes) também tem grande potencial econômico, sendo alimento tradicional de várias nações indígenas. Além do alto valor nutritivo, a pupunha produz um óleo para cozimento e uso industrial e é considerada o melhor palmito, entre todas as palmeiras.

A pupunha é uma das plantas regionais que está atualmente sendo explorada comercialmente em várias regiões do Brasil. Seu palmito de ótima qualidade pode ser consumido fresco e em muitas outras formas, em uma diversidade de receitas. Sua textura crocante e seu sabor ligeiramente adocicado pode ser servido acompanhado de mel, açúcar ou ao natural. Pesquisas recentes atestaram que a pupunha possui alta concentração de selênio, mineral que atua na prevenção do câncer.

Tanto o açaizeiro quanto a pupunheira são plantas que perfilham, ou seja, nascem novos rebentos ao redor da planta. Isso permite que a planta possa ser explorada sem erradicação, ou seja, não é necessário eliminar a planta para extrair o palmito ou o açaí. A planta continua produtiva com uma exploração racional de seus recursos.

Castanha do Pará

Castanha do Pará

De grande importância econômica, a castanha-do-pará (Bertholletia excelsa), também conhecida no exterior como castanha-do-brasil. Essa castanha é coletada pelas nações indígenas brasileiras desde tempos imemoriais. Suas amêndoas nutritivas possuem alto teor de proteína. A árvore da castanha-do-pará chega a atingir 40 metros de altura, produzindo frutos por centenas de anos.

A Embrapa tem desenvolvido pesquisas com a castanha-do-pará, viando obter árvores de maior produtividade. As castanheiras nativas demoram dezenas de anos para produzirem. Espécies enxertadas pela Embrapa já produzem cerca de 25 litros de castanhas por árvores com 6 anos de idade.

Buriti

Buriti

O buriti (Mauritia vinífera) é encontrado nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Os frutos do buriti são coletados no chão, quando se desprendem dos cachos (outubro a março). Possuem escamas de coloração marrom, clara quando jovens e escura quando maduros. É considerado uma das maiores fontes de vitamina A existentes na natureza. Sua polpa pode ser usada para a fabricação de bebidas fermentadas, sopas, mingaus, doces, geleias e sorvetes. Suas folhas podem ser utilizadas na fabricação de cordas, balaios, redes e chapéus. Seu caule produz uma seiva adocicada que é usada na produção de vinho.

Mangaba

A mangaba (Hancornia speciosa) pode frutificar em qualquer época ado ano. Seu caule libera látex se ferido, solidificando-se em contato com o ar. A fruta verde pode ser indigesta, por causa desse látex, por isso deve ser consumida madura. Por possuir casca fina e polpa mole, é bastante perecível. É doce e ácida, sendo utilizada na culinária regional para a fabricação de doces, sorvetes, licores, vinhos e sucos, além de álcool e vinagre. Sua dispersão se dá no litoral do Nordeste, Centro-Oeste e na Amazônia.

Cupuaçú

Cupuaçú

Fruta nativa da região amazônica, o cupuaçu (Theobroma grandiflorum) tem um sabor típico e bastante apreciado. Dele se aproveitam a polpa e as sementes. Seu peso pode chegar a 1 kg e atualmente é explorado pela indústria alimentícia. Se dá bem na sombra e junto de outras plantas da floresta. O cupuaçuzeiro produz entre 30 e 40 frutas por ano. Fruto muito usado na fabricação de sorvete, doce, licor, geléia e bombom. Sua gordura é usada na fabricação de cosméticos e as sementes, na fabricação do cupulate, um chocolate saboroso. O fruto maduro cai do pé naturalmente. Sua polpa pode ser removida com uma faca ou tesoura e congelada. A árvore do cupuaçu está dispersa por toda a bacia amazônica e também nos quintais. Cresce de forma natural nas florestas, chegando a medir 20 metros de altura.

Guariroba

Palmeira nativa da região do cerrado brasileiro, a guariroba (Syagrus Oleracea) é conhecida por seu palmito amargoso muito apreciado em várias regiões do Brasil. Chega a 20 metros de altura e está dispersa por vários estados como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal, Tocantins, Goiás e Minas Gerais. Seu caule é usado na construção civil, suas folhas, na alimentação animal e como telhado de casas nas áreas rurais. Sua castanha também é consumida ou usada como ração animal, fabricação de doces, sorvetes e licores.  Da mesma castanha, é extraído o óleo comestível, também utilizado na fabricação de sabão. Além de ser usada no paisagismo de cidades brasileiras, seu palmito amargo é bastante explorado e usado na culinária de Minas Gerais e Goiás.

Guaraná

Guaraná

O guaraná (Paullinia cupana) é um dos produtos da floresta amazônica que é amplamente explorado pela indústria na fabricação de xaropes, pós, refrigerantes e medicamentos. Planta arbustiva com frutos pequenos, possuem a casca vermelha e polpa branca em seu interior. Gostam de climas quentes e úmidos. Seus frutos depois de colhidos, são fermentados, secados e torrados. O Brasil é o único país do mundo que produz o guaraná em escala comercial. A planta possui mais cafeína que o café, sendo usado para minimizar a fadiga física e mental. É diurético, além de ter ação tônica cardiovascular e combater cólicas. O guaraná possui as chamadas catequinas, substâncias com propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias. Essas substâncias previnem ainda o surgimento de doenças degenerativas, cardiovasculares, câncer e diabetes

Jatobá

Jatobá

Também chamado de bolacha de vaqueiro, o Jatobá (Hymenaea sp.) está disperso por vários estados brasileiros, na Amazônia, Mata Atlântica, Pantanal e Cerrado. É uma árvore de crescimento lento, chegando a 40 metros de altura. A madeira tem aproveitamento na construção civil, movelaria e decoração, sendo bastante valorizada em todo o mundo. Sua farinha é produzida e consumida no meio rural, usada na fabricação de pães, bolos, biscoitos ou misturada ao leite e a outras frutas. Sua casca é usada para chá, a polpa, rica em ferro, é consumida in natura pelas populações rurais de todo o Brasil. Sua seiva é medicinal e também usada na cura de várias enfermidades como a anemia e problemas respiratórios.

A valorização, cultivo e exploração racional de nossos frutos nativos indígenas, suculentos e saborosos, grandes presentes da natureza, resgatam conhecimentos dos índios dessas terras, que usam essas plantas há incontáveis séculos. Vale também uma reflexão acerca de nossos hábitos alimentares. Com pequenas mudanças, teremos de volta uma vida mais saudável, menos gastos com alimentos artificiais, médicos e remédios. Um bom começo é o consumo de alimentos colhidos diretamente na terra e não nas prateleiras dos supermercados.

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