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Permacultura e Ecovilas são termos que se completam. A permacultura propõe a natureza como modelo, considerando que a vida surgiu em nosso planeta há mais de 3,8 bilhões de anos.  A natureza é um reservatório de soluções incríveis, que superou inúmeros obstáculos ao longo da evolução. Esses sistemas cada vez mais sofisticados, nos inspiram a procurar soluções para sair do topo da crise social e ambiental em que nos encontramos. Uma dessas soluções são as comunidades intencionais ou Ecovilas.

A natureza é uma escola que nos fornece material e tecnologia para desenhar instalações humanas que funcionem como os ecossistemas naturais. Esses sistemas são muito mais econômicos e funcionais em termos de insumos e energia produtiva. São também mais resilientes, autônomos e conectados, onde cada um contribui para a vitalidade e equilíbrio da biosfera. Essa conexão, onde todos se beneficiam mutuamente, imita a floresta nativa, com sua alta produção de biomassa e eficiente retroalimentação. Na floresta essa riqueza é produzida no ambiente natural, sem fertilizantes artificiais, sem lavoura, sem máquinas, sem rega ou qualquer outra intervenção humana.

Agrofloresta e Bioconstrução

A agrofloresta procura simular esse ambiente natural, com a produção de pisos de vegetação. A diferença é que todas as plantas dessa floresta são comestíveis ou fornecem algum tipo de insumo útil para a propriedade e para a vida em geral. Isso inclui a construção de moradia com esses recursos naturais locais, a chamada bioconstrução. Podemos utilizar as tecnologias da natureza para atender nossas necessidades sem degradar o meio ambiente.

Essa biodiversidade com sua rede de conexão densa e interligada permite que várias funções dentro do todo desempenhem o seu melhor papel. Melhora o clima, protege o meio ambiente e os seres humanos de crises climáticas, nutre e alimenta solo, animais e homens.

Design interativo

A permacultura é acima de tudo, uma prática de design. Significa desenhar a base do projeto das instalações humanas, em parceria com a natureza. Nas Ecovilas, esse desenho e esforço aplicado resulta em uma maior eficiência energética, melhores condições de trabalho, insumos e alimentos mais autônomos, produtivos e sustentáveis. O termo permacultura significa agricultura ou cultura permanente. Seu potencial vai muito além de jardins e fazendas, sendo aplicável em todos os assentamentos humanos.

A cultura permanente marca uma ruptura profunda com a sociedade de consumo: quando trabalhamos na mesma direção da natureza recebemos em troca fertilidade e abundância. Para isso, é necessário considerarmos que um processo de transição não é uma punição mas uma libertação. Nas Ecovilas, temos a oportunidade de combinar as várias técnicas, incluindo a bioconstrução que resgata conhecimentos milenares, montando o quebra-cabeças que trará consistência e qualidade de vida para as tribos do amanhã.

Os animais como agentes de transformação

Um galinheiro ao lado do pomar é um exemplo de interação. As galinhas ciscam e comem bichos peçonhentos, frutos caídos e insetos em geral. Devolve para o solo, em forma de adubo, contribuindo para melhorar a fertilidade e a produtividade das frutíferas. Da mesma forma, os restos de poda empilhados na sombra, em camadas sucessivas, de vegetais e esterco do galinheiro ou outra criação, produzem o chamado composto orgânico, adubo de ótima qualidade para ser usado em qualquer cultura orgânica.

Cada design deve ser fruto de paciente observação e estudo da natureza. Essa escola sempre oferece inúmeras oportunidades com sua interação, otimizando os recursos disponíveis para uma melhor produtividade da floresta de alimentos. Os princípios da permacultura são simples e eficazes. Aproveitam os serviços feitos naturalmente pelos ecossistemas, se utilizando de bilhões de funcionários, que são os micro-organismos existentes no meio ambiente, como bactérias, minhocas, insetos e muitos outros agentes de transformação.

Princípios da Permacultura

O australiano Bruce Charles Mollison, mais conhecido como Bill Mollison, juntamente com o seu compatriota David Holmgren, são considerados os pais da permacultura. Mollison incluiu uma lista abrangente de princípios em seu livro: Manual de Designers em Permacultura. Mais tarde David Holmgren consolidou e reembalou esses 12 princípios em seu livro, “Princípios e caminhos da permacultura além da sustentabilidade”. São eles:

1: Observação e interação.

Onde estou? Quais são as forças presentes na minha terra que eu preciso projetar? Clima, topografia, água, solos, vegetação, vida selvagem, vento, fogo, pessoas, estes são alguns dos elementos que fazem parte de nossas observações.

2: Coleta e armazenamento de energia.

A energia não é apenas eletricidade, e precisa ser armazenada. A água representa energia potencial para irrigação de culturas futuras. A biomassa de uma floresta representa um armazenamento vivo de materiais de construção, combustível, nutrientes e água. Os sistemas de energia alternativa podem transformar o vento, o sol e a água corrente em energia elétrica. Esse princípio nos dá a diretiva para capturar e aumentar os excedentes em nosso sistema.

3: Fonte de renda.

Esse princípio promove a auto-suficiência e nos dá a diretriz para a colheita em nosso sistema de Permacultura. É importante saber qual árvore plantar em determinado local, dando prioridade para as árvores que podem fornecer frutos e outros produtos, como materiais de construção, combustível, néctar para mel, etc. Uma floresta de alimentos crescendo ao seu redor é segurança e fonte de renda para o futuro.

4: Auto-regulação e aceitação dos resultados.

Esse princípio nos orienta a viver de forma simples e consciente, limitando o nosso próprio consumo, porque ninguém mais vai fazer isso por nós. Precisamos controlar o nosso próprio consumo e emissões, porque é nossa responsabilidade cuidar da terra e das pessoas. Aceitar feedback significa aprender com nossos sucessos e erros, ganhando experiência enquanto vamos aprendendo o que funciona e o que não funciona, em nosso sistema.

5: Uso e valor dos recursos renováveis.

Recursos renováveis são aqueles, que se reabastecem com uso modesto. Pode ser uma floresta sustentável ou práticas de pesca. Isso poderia significar plantar uma vertente do pomar de uma floresta para aproveitar o nutriente disponível no solo, água e vento. O cuidado com o manejo desses recursos para a perpetuidade deles.

6: Produzir sem desperdícios.

Manejar adequadamente o sistema para que um possa servir de alimento para o outro. Práticas como a compostagem, limpeza e reciclagem da água cinzenta, reparo e reutilização de ferramentas e equipamentos danificados. Reduzir, reutilizar, reparar, reciclar. Isso inclui as pessoas, não permitindo que façam trabalhos perigosos ou sem sentido.

7: Design de padrões detalhados.

Estudar primeiro o clima, a topografia, a bacia hidrográfica, a ecologia, para obtenção de uma visão panorâmica de como poderemos interagir com a terra e a comunidade de uma região regenerativa. Observar o fluxo da água na paisagem para construir estradas, direcionando a água para reservatórios ou lagoas.

8: Integrar em vez de segregar.

Esse princípio diz que quanto mais relações entre partes de seus sistemas, mais forte, mais produtivo e mais resiliente seu sistema torna-se. Isso também tem a ver com a comunidade. Desenhar um conjunto de habitações onde uma comunidade cooperativa pode fazer muito mais do que um indivíduo.

9: Soluções pequenas e lentas.

Um exemplo é substituir sempre as árvores colhidas para uso dentro da área, por outras espécies mais interessantes, repondo e enriquecendo os recursos para o futuro. Madeira em início de decomposição pode ser usada para inoculação de cogumelos comestíveis e depois espalhá-las pela floresta, para servirem de adubo para outras árvores em fase de crescimento.

10: Uso e Valorização da Diversidade.

Um design que prevê habitação, jardins, energia eólica, armazenamento de água, compostagem, revitalização de nascentes, silvicultura, pomares, pastoreio rotativo de animais. Plantio de árvores e jardins de ervas e flores. Espécies adaptadas de peixes para a lagoa. A diversidade é um dos principais aspectos da Permacultura. Queremos conservar diversos habitats nativos, e fazer nossos habitats humanos ricos com uma abundância de muitos elementos produtivos. A diversidade também é resiliência: se uma parte do sistema falha, muitos outros prosperarão.

11: Uso de contornos e valorização das margens.

Adicionar as seções comestíveis em torno das instalações de animais e ao longo da estrada. Plantar bambu abaixo do lago, que será sub-irrigado pela água que se infiltra. As bordas e as margens são locais excelentes para adicionar espécies mais produtivas ou zonas de habitat, que podem ser usadas para criar mais camadas de produtividade.

12: Uso Criativo e Resposta à Mudança.

Com os pomares e as sebes crescendo, os solos da floresta se tornam mais esponjosos, com o auxílio de técnicas como a inoculação de cogumelos. A construção dos solos a partir da rotação dos animais e cobertura morta nas culturas permitem que a água se movimente mais devagar pelo relevo. As áreas mais baixas e úmidas devem ser usadas para cultivar espécies que gostam de solos encharcados. A mesma coisa com as árvores, plantar espécies que se desenvolvem bem com o excesso de água em suas raízes, esculpindo a paisagem ao longo do tempo, de acordo com a disponibilidade de água.

Treinamento em Ecovilas
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